Codename Anastasia - Novel - Capítulo 21: Trem Siberiano: Parece ser Zhenya
O sol nasceu novamente, marcando o início de um novo dia. Kwon Taek Joo saiu depois de lavar o rosto, e, ao mesmo tempo, foi anunciado que o trem logo chegaria a Irkutsk. Somente então ele entendeu por que o interior do vagão estava tão bagunçado.
Irkutsk, cidade próxima ao Lago Baikal, o maior lago de água doce do mundo, é um dos destinos turísticos mais procurados da rota do Transiberiano. A maioria dos turistas desembarcam ali—e Laziza não foi uma exceção.
Desde cedo pela manhã, Zhenya não foi visto. Kwon Taek Joo também não sabia por que estava sozinho. Embora fosse considerada sua parceira, nunca lhe disse para onde ia ou o que fazia. Então, qual seria a diferença entre aquele momento e quando ele estava sozinho em uma missão? Parecia estar desperdiçando tempo com coisas desnecessárias.
O que aconteceu na noite anterior veio repentinamente à mente de Kwon Taek Joo, e seu humor se acalmou de súbito. Ele lavou o rosto várias vezes tentando apagar aquelas lembranças, mas a sensação incômoda jamais desapareceu. Ainda sentia uma viscosidade estranha em sua bochecha.
Zhenya disse que foi sua culpa, mas, de qualquer ângulo que analisasse, aquilo foi claramente um ato provocativo e intencional. Assim, o desconforto em seu peito começou a crescer e ferver cada vez mais.
Ele apertou os dentes e sacudiu a cabeça para afastar os pensamentos. Quanto mais se prendesse a essa provocação, mais ele seguiria exatamente o que aquela garota queria. Pensamentos inúteis apenas atrapalham seu trabalho. Um lunático que não sabia se era colega ou sabotador estava tirando sua paciência e confundindo seu julgamento—precisava manter a calma.
Estalou os dedos enquanto olhava para a tela de vigilância.
O surpreendente foi que o assento de Hong Yeo Wook estava vazio. Teria ido ao banheiro? Nos últimos dias, ele só se levantava uma ou duas vezes pela manhã para usar o sanitário. Talvez bastasse esperar um pouco mais.
Mas Hong Yeo Wook não apareceu, nem após longos minutos de espera. Não havia mais motivo para adiar sua busca. Kwon Taek Joo pegou rapidamente o Colt e saiu da cabine.
O corredor que levava à sala especial estava silencioso. Pensou que talvez Zhenya estivesse lá fora ao telefone, mas ela também não estava ali. Devia sempre desaparecer quando algo importante acontecia.
Caminhou pelo corredor enquanto colocava ambos os fones de ouvido. A tela do celular exibia um controle de volume. Ele não estava tentando ouvir música para relaxar, mas sim usar um truque: aproximou o telefone das portas fechadas das cabines de primeira classe e da sala especial, ajustando cuidadosamente o volume no máximo. Qualquer ruído dentro dos compartimentos seria transmitido pelos fones.
Uma respiração profunda ecoou em uma cabine. Em outra, alguém oferecia café ao grupo. Mas não havia nenhum sinal suspeito.
Talvez o melhor fosse ir diretamente à segunda classe e procurar Hong Yeo Wook. Kwon Taek Joo continuou atravessando cada vagão.
A maioria dos passageiros da segunda classe eram turistas. O trem tremia enquanto cruzava um campo de neve interminável do lado de fora das janelas. Mesmo uma única árvore solitária despertava murmúrios de admiração, e as pessoas disputavam espaço para tirar fotos. Como resultado, passar pelo vagão se tornou ainda mais complicado.
Ele andou com cautela, verificando cada assento. Será que Hong Yeo Wook percebeu que estava sendo seguido e se escondeu? O trem circulava sem parar desde a noite anterior. Não podia simplesmente desaparecer no ar.
Por isso, Kwon Taek Joo acreditava que o encontraria se olhasse atentamente.
Ainda assim, seu desaparecimento provocou um desconforto crescente. Se Zhenya colaborasse, poderiam se alternar na vigília e nunca perder o alvo de vista. Mas não—ela nasceu para ser assim, e, por isso, cabia a ele continuar sozinho.
No lugar disso, ele se arrependia de ter sido distraído pela tentação. O aperto no peito se intensificou, como se estivesse correndo contra o tempo.
Passou pela cabine de segunda classe, sendo empurrado pelos passageiros e pelas bagagens, sentindo-se exausto. À sua frente, o vagão de terceira classe era estreito e lotado. Como o trem estava prestes a entrar na estação, aquilo não parecia diferente de um mercado tumultuado.
Respirou fundo e abriu a porta.
— **“Waaah! Waaah!”**
O choro estridente de uma criança ecoou pelo vagão. Até mesmo encontrar um espaço para pisar era um desafio. O ar estava abafado e impregnado de um cheiro forte de mofo.
Ao redor, passageiros murmuravam ou estavam caídos de puro cansaço. Comerciantes focavam em descarregar e organizar seus pacotes enormes, com expressões tensas. Apenas atravessar o vagão já era cansativo. Procurar alguém ali dentro seria ainda pior. Encontrar Hong Yeo Wook em um lugar como este é mais difícil do que morrer.
Kwon Taek Joo continuou olhando ao redor enquanto caminhava pela área de bagagens. Examinou cada rosto, observou cada canto dos assentos e os volumes empilhados, mas não havia sinal de Hong Yeo Wook. Teria ido ao banheiro? Ou descido até o restaurante? Ele ajeitou suas roupas amassadas e se dirigiu ao vagão-restaurante.
Assim que abriu a porta, o aroma do café inundou suas narinas. Era cedo pela manhã, e poucos passageiros ocupavam o espaço. Isso tornava a busca mais simples. Entre os viajantes sentados espaçadamente, havia apenas uma pessoa asiática: uma mulher solitária. Sem dúvida, ela não poderia ser Hong Yeo Wook disfarçada, devido à diferença física. Além disso, não teria tido tempo suficiente para se disfarçar como ocidental. Sem outra escolha, Kwon Taek Joo abandonou o vagão sem obter nenhuma pista.
Ao mesmo tempo, uma nova pergunta surgiu em sua mente: além de Hong Yeo Wook, ele também não havia encontrado Zhenya até agora, apesar da sua busca minuciosa. Com o tamanho imponente e a presença marcante, era impossível que passasse despercebido. Onde ele estaria?
Com uma expressão desconfiada, Kwon Taek Joo observou a paisagem pela janela do corredor. Não importava o quanto olhasse, só via um vasto campo coberto de neve. Mesmo as poucas árvores velhas estavam soterradas sob uma camada espessa e branca. A neve reluzia sob a luz do sol, como se tivesse sido polvilhada com pó de ouro. Ele observou a cena sem muita atenção, reorganizando seus pensamentos.
Então, algo aconteceu.
Kwon Taek Joo se virou rapidamente. Havia um banheiro à frente, usado principalmente pelos passageiros da segunda e terceira classe. Pouco antes, ele tinha percebido algum movimento ali.
Aproximou-se devagar e encostou o ouvido na porta, mas não ouviu som algum. Pegou o celular do bolso e aproximou-o da porta. Pelo aparelho, conseguiu detectar apenas o sinal de um colar se movendo de forma incomum. Seria Hong Yeo Wook? Ou Zhenya?
Sem hesitar, ele tentou girar a maçaneta, mas a porta estava trancada por dentro. Estranho. Nos trens internacionais, é proibido utilizar os banheiros por 10 a 30 minutos antes das paradas. Em grandes estações como Irkutsk, a porta costuma ficar fechada por cerca de meia hora para limitar o acesso. Como faltavam cerca de 40 minutos para a estação, restavam apenas 20 minutos para a restrição. Quem teria entrado e trancado a porta? Poderia ser algum funcionário do trem? Ainda assim, Kwon Taek Joo precisava verificar.
Ele recuou alguns passos, sacou o Colt da cintura e mirou na porta.
Foi quando sentiu uma tensão repentina na nuca. Por puro instinto, ele se virou imediatamente. No rápido movimento, viu um homem de moletom passar pelo corredor. Ele usava capuz e máscara, ocultando seu rosto. Sem pensar, Kwon Taek Joo apontou a arma para o desconhecido, e, no mesmo instante, o homem também ergueu sua arma. Os dois ficaram imóveis, com os braços erguidos e cruzados no ar.
Quem era ele? Seria Hong Yeo Wook?
Kwon Taek Joo pressionou o gatilho até a metade, tentando discernir a identidade do oponente. Mas, antes que pudesse reagir, uma forte pancada atingiu sua nuca.
“Agh!”
Sua visão se tingiu de amarelo e se estilhaçou como vidro quebrado. O golpe foi tão súbito que não houve som da porta do banheiro se abrindo, nenhuma pista prévia.
Cambaleando, ele levou a mão à cabeça. A dor ardia como se tivesse explodido, e um líquido quente escorria pela sua nuca. O cheiro metálico do sangue se espalhou no ar. Mesmo tonto, Kwon Taek Joo manteve a guarda, alternando a mira entre o homem encapuzado e a porta do banheiro.
Mas seus joelhos começaram a tremer e, em seguida, cederam. Seu corpo, que resistia por pura força de vontade, enfim caiu no chão. Ele tentou se erguer, mas era inútil. Seu corpo já não respondia.
Na visão cada vez mais turva, silhuetas se aproximavam lentamente. A percepção de Kwon Taek Joo estava distorcida. Era impossível distinguir claramente quem vestia preto, mas uma forte sensação de déjà vu tomou conta dele.
Enquanto sua consciência se tornava caótica, ele parecia ter visto Zhenya.
<Fim do 1º Volume>